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Fortificações da Ilha

Fortificações da Ilha

Santa Catarina chegou a possuir mais de duas dezenas de fortificações, se considerarmos também aquelas estruturas de menor porte construídas nas cidades de Laguna, Imbituba e São Francisco do Sul. No entanto, foi a Ilha de Santa Catarina, a atual cidade de Florianópolis, que abrigou um dos mais expressivos sistemas defensivos já construídos no Brasil. Iniciado em 1739, esse sistema desempenhou papel fundamental nas disputas entre Portugal e Espanha pela posse dos territórios do sul do continente.

Após um período de abandono e ruínas, as principais fortificações foram restauradas e revitalizadas, num processo liderado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Abertos à visitação pública, estes monumentos, que estão entre os mais bem preservados conjuntos de arquitetura militar de nosso país, constituem-se em uma das maiores atrações do turismo cultural do sul do Brasil e converteram-se em pólo de produção e difusão de conhecimento, cultura e lazer.

Antecedentes históricos

Desde a época do descobrimento, o litoral do Estado de Santa Catarina foi visitado por navegadores de diversas nacionalidades: Binot Palmier de Gonneville aqui teria permanecido por seis meses (1504) e a frota de Nuno Manuel e Cristóvão de Haro, de passagem, em 1514, deu o nome de Ilha dos Patos à Jurerê Mirim dos Nativos. No ano seguinte, Juan Diaz de Sólis por aqui passou em direção ao Rio da Prata. Aleixo Garcia, sobrevivente de um naufrágio ao sul da Ilha (1516), viveu por anos entre índios Carijós antes de empreender a sua fantástica viagem a Potosi, pelo caminho do Peabiru. Vários outros navegadores famosos, entre eles Cabeza de Vaca – a quem se atribui o batismo das ilhas Ratones – Rodrigo de Acuña e Sebastião Caboto passaram por esta região no início do século XVI, tendo este último batizado a Ilha com o nome definitivo de Santa Catarina.

No entanto, todo este vasto território do sul do Brasil permaneceu praticamente abandonado até à fundação, pelos bandeirantes paulistas, das primeiras povoações: Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco (1658), hoje São Francisco do Sul; Nossa Senhora do Desterro (1662), atual Florianópolis e Santo Antônio dos Anjos da Laguna (1684). A fundação, pelos portugueses, em 1680, da Colônia do Santíssimo Sacramento, na margem esquerda do Rio da Prata – em frente a Buenos Aires, em território hoje uruguaio – começaria a alterar significativamente este quadro de indiferença em relação ao sul do Brasil. A Colônia de Sacramento, ponto de apoio para um intenso comércio de contrabando em área espanhola, rica em metais preciosos, gado e couro, era considerada vital por interligar o interior do continente a seu litoral e foi vista pelos espanhóis como uma invasão aos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. Em represália, a Espanha, nesse mesmo ano, invadiu Sacramento – logo retomada pelos portugueses – dando início a uma série de embates militares e diplomáticos que se estenderiam até 1778. No calor destas disputas, a Ilha de Santa Catarina, último porto seguro entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires – ancoradouro abrigado onde as embarcações podiam se reabastecer de água, víveres, lenha, e receber reparos – passou a representar um ponto estratégico para Portugal.

A Coroa necessitava garantir a posse da Ilha pela sua efetiva ocupação, fortificação e utilização como base de apoio à navegação e às operações militares de longa distância. Para isso, o Governo Português criou, em 1738, a Capitania Subalterna da Ilha de Santa Catarina e nomeou como seu primeiro governador o brigadeiro e engenheiro militar José da Silva Paes, também autor de projetos de construção de fortes em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Uruguai. Silva Paes já havia estado envolvido nos conflitos do sul do continente, tendo fundado no ano anterior o forte Jesus–Maria–José e a cidade de São Pedro de Rio Grande, berço de nascimento do vizinho Estado do Rio Grande do Sul. Silva Paes, posteriormente, seria também o autor do projeto original da Catedral de Florianópolis e do Palácio do Governo, atual Museu Histórico de Santa Catarina. Chegando à Vila Capital de Nossa Senhora do Desterro, em março de 1739, o brigadeiro assumiu o governo sabendo que, além de fortificações, havia a necessidade de povoar a Capitania, como forma de garantir a posse da terra e a produção de víveres para as guarnições militares e, até mesmo, de dispor de braços para o necessário reforço das tropas. Esta ocupação do território começaria a se consolidar com a chegada ao sul do Brasil, entre 1748 e 1756, de mais de seis mil imigrantes portugueses dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, gerando um grande impacto demográfico, com definitivos reflexos econômicos, sociais e culturais sobre a região. 

A construção das fortalezas

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